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A Nova Alquimia (Osho)
O Sentimento de Separação
Destrua todo sentimento de separação.
A mente pensa em termos de separação, divisão, análise. Por
intermédio da mente, a vida se fragmenta. A vida, em si
mesma, não é dividida; a vida, em si mesma, é uma unidade. A
vida, em si mesma, permanece indivisível, mas a mente pensa
em termos de fragmentos; portanto, tudo o que a mente
afirma, com certeza é falso. Aquela árvore, o céu lá no
alto, a Terra, você e todas as coisas estão numa profunda
unidade. A árvore parece estar separada de você, mas não
está; não pode estar. O Sol está muito distante, mas você
não pode existir aqui se o Sol morrer. Imediatamente, você
cessará de existir aqui. Sem o Sol ali - a cem milhões de
milhas de distância -, você não pode existir aqui. Se o Sol
deixasse de existir, nunca seríamos capazes de saber que ele
não mais existiria, pois não haveria ninguém para saber.
Somos parte de seus raios.
Todo o universo é uma unidade cósmica. Você não está
isolado; não é como uma ilha. Você está ligado; está
enraizado no oceano da existência, como uma onda.
A menos que isso seja sentido profundamente, ninguém poderá
entrar em samadhi, ninguém poderá entrar no êxtase
total da existência; pois se você se considera separado, não
pode se fundir; se você se considera separado, não pode se
entregar. Se você pensa que não está separado, a entrega
torna-se fácil; ela acontece. Se sentir que é um com a vida,
pode confiar nela. Então não haverá medo. Você poderá morrer
nela, alegremente, extaticamente. Então não haverá morte.
O medo da morte surge porque você pensa que está separado.
Então você começa a lutar, começa a se proteger. Começa a se
ver como um inimigo, em conflito. Você pensa em termos de
conquistar, de ser vitorioso. Mas então será derrotado; sua
derrota é certa.
Você é uma parte do todo, mas continua a lutar com o todo. É
por isso que, por toda parte, você observa que todo mundo é
um fracasso: derrotados, frustrados. No fim, todo mundo vem
a saber que a vida foi uma longa derrota e nada mais. Isso é
sentido não apenas pelos que não foram bem-sucedidos. Os
bem-sucedidos também o sentem. Um Napoleão, um Alexandre,
até mesmo eles se sentem derrotados.
Por que isso ocorre? Porque você não está separado do todo.
Considero irreligioso o homem que pensa que está separado da
vida, e considero religioso o homem que sabe que é uma parte
orgânica da vida. Digo uma parte orgânica, não uma parte
mecânica, pois a parte mecânica pode ser arrancada; a parte
orgânica não pode ser extirpada. Ela não é realmente uma
parte - está em profunda unidade com o todo.
Um homem religioso vai além da ansiedade, além do medo da
morte, porque agora sabe que ele não é e o todo é. Então,
como pode haver medo? Até mesmo a morte torna-se uma
comunhão, um encontro. Não é uma dissolução. Ao contrário,
uma fusão. Não se trata de alguma coisa que está contra
você. Antes, é um profundo relaxamento para você.
A vida é tensão, ansiedade. A morte é bela. Você
simplesmente entra num profundo relaxamento. Retorna
novamente à fonte. A onda se erguerá outra vez, mas por
enquanto ela cessou; foi para o oceano, descansar. A morte é
um profundo repouso. E antes de um novo nascimento, esse
repouso é necessário.
A partir do momento em que você compreende isso, não há mais
medo. Desde que você aceite e se torne consciente da
profunda unidade, a unidade orgânica, oceânica, aceitará
todas as coisas. Você saberá que tudo é um, que a existência
é uma. Ela se manifesta em diferentes formas, em milhões de
formas, mas só as formas são diferentes. A substância, a
essência, permanece uma.
Essa atitude o ajudará a entrar muito facilmente na
meditação. Lembre-se, se você temer a morte, temerá também a
meditação. Esse é um corolário lógico. Se você tiver medo da
morte, você não se permitirá entrar totalmente na meditação,
pois a meditação é uma espécie de morte, um tipo de morte.
Consciente e voluntariamente, você imerge no todo. Morre
enquanto indivíduo, enquanto ego torna-se um com a
existência não-egótica.
Se você temer a morte, temerá também a meditação. Mas se
amar a meditação, não temerá a morte. Se entrar na
meditação, sem temor, sem medo, tornar-se-á imortal, pois
não haverá mais nenhuma morte para você. Você já estará
morto, portanto, como poderá morrer novamente? Aquele que
entra em meditação, já morreu. Agora você não pode morrer
novamente; a morte não pode destruí-lo. Você já se rendeu;
você não é mais. A morte entrará numa casa vazia. Você não
será encontrado nela.
Apenas o ego morre, não você. Sua vida é eterna, mas o ego é
transitório. O ego é somente um fenômeno criado, formado.
Você o criou. Ele é necessário, tem alguma utilidade. Na
sociedade, você precisa de um ego; mas na vida, na
existência, esse mesmo ego torna-se uma barreira.
Sannyas significa ir além da sociedade, pois quer
dizer entregar o ego. Na sociedade, o ego é necessário. Você
precisa ter um ponto de referência para indicar quem você é.
No sannyas esse ponto de referência não é necessário.
Não há necessidade de dizer quem você é; você pode
simplesmente ser. Você é, isso é tudo. Não há necessidade de
contar a ninguém quem você é. Esse “quem” é uma necessidade
social. A existência nunca lhe pergunta quem você é.
Quando você abandona o ego, está pronto a tornar-se um com o
todo. Há, na verdade, duas maneiras de se dizer a mesma
coisa: ou se concebe toda a existência como uma, ou se
concebe que não há nenhum ego em você. É a mesma coisa, o
resultado será o mesmo. Você virá para uma unidade oceânica.
E essa unidade, uma vez conhecida, nunca mais será perdida.
Destrua todo sentimento de separação. Torne-se apenas uma
gota - uma gota de água que caiu no oceano e tornou-se uma
com ele. E não tema a morte, porque, na verdade, não há
morte para você. Aquele que teme é um fenômeno falso, uma
entidade falsa - uma entidade criada pelo sentimento de
separação. Em meditação, lembre-se, você está retornando à
fonte, saltando para a fonte. Está se movendo do ego para
uma existência sem ego.
Na meditação, esteja pronto para morrer. Se você puder
morrer em meditação, obterá a vida eterna. Tornar-se-á
imortal. |