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A Nova Alquimia (Osho)
Em Busca do Caminho
Busque o caminho.
“...Pare e reflita um pouco. É o caminho que você deseja
ou, há, em suas visões, uma vaga perspectiva de grandes
alturas a serem escaladas por você mesmo, um grande futuro a
ser alcançado? Cuidado. Saiba que o caminho deve ser buscado
por causa dele mesmo e não como algo que seus pés
trilharão.”
Busque o caminho. O caminho não é
conhecido. Ninguém pode ensinar-lhe o caminho; ele não lhe
pode ser dado. O caminho não pode ser mostrado, não pode ser
transmitido. Você precisa buscá-lo.
Pensamos, geralmente, que devemos buscar a meta, mas que o
caminho já se encontra determinado. Há tantos caminhos que
não há razão de se continuar a falar sobre eles; e todos
levam à mesma meta. A meta é que precisa ser encontrada, a
meta é que precisa ser alcançada, não o caminho. O caminho
já está à mão. Na verdade, está totalmente à mão, pois
existem muitíssimos caminhos.
Mas isso não é verdade, porque a meta e o caminho não são
duas coisas. O próprio caminho torna-se a meta. O primeiro
passo é também o último, pois o caminho e a meta não são
duas coisas. O caminho, à medida que se avança através dele,
transforma-se na meta. O mais importante é não pensar sobre
a meta. O pensamento básico deve ser a respeito do caminho.
Descubra o caminho: Busque o caminho.
Porém, nossas mentes encontram-se de tal modo condicionadas
que pensamos ter recebido um caminho de nascença. Uma pessoa
é cristã, outra, hindu, e outra, maometana. Elas pensam que
o caminho lhes foi dado pela sociedade, pela cultura, por
sua educação. Não é verdade; o caminho não pode ser dado por
ninguém. Nem a sociedade, nem a cultura, nem a educação
podem lhe dar o caminho. Você precisará buscá-lo, pois
através da busca você será transformado.
Um caminho que se tomou emprestado é um caminho morto.
Através dele, você não conseguirá avançar; ele não o levará
a lugar algum. Você pode acreditar nele, pode consolar-se
nele, pode adiar sua jornada por causa dele - pois como você
o conhece, poderá trilhá-lo qualquer dia -, mas quando você
iniciar sua marcha, verá que o caminho que se toma
emprestado, que é dado, não será de nenhuma ajuda.
Você precisará buscar o seu próprio caminho. É difícil
buscá-lo; muitos erros são possíveis. Mas nada se obtém sem
erros; portanto, seja suficientemente corajoso para errar.
Você poderá enveredar por caminhos errados, mas é preferível
andar por caminhos errados do que permanecer absolutamente
parado, pois pelo menos você aprenderá a caminhar, aprenderá
o que é um caminho errado. Isso também é bom, pois a
exclusão será útil. Você andará por um caminho e descobrirá
o que está errado. Andará por outro caminho e descobrirá o
que está errado. Desse modo, sabendo o que está errado, você
chegará a compreender o que está certo.
Portanto, não tenha medo de errar, de percorrer caminhos
errados. Aqueles que têm muito medo de cometer erros e de
percorrer caminhos errados ficam paralisados. Permanecem
onde estão; jamais se movem.
Seja corajoso e busque o seu caminho. Jamais imite o caminho
de alguém. A imitação não o levará à liberdade. Não se trata
de seguir um caminho ou outro; trata-se de buscar. Seja um
buscador e não um seguidor. E conheça bem a diferença.
Um seguidor é um imitador. Um buscador também segue, mas não
é um imitador. Um buscador também segue, mas segue a fim de
buscar, de descobrir. Ele permanece atento, permanece
consciente. Um seguidor torna-se cego, torna-se dependente -
espiritualmente, um escravo. Joga sua responsabilidade sobre
os ombros de um outro e aí se pendura. Um buscador é
responsável por si mesmo. Está atento, é responsável -
descobrindo algo novo a cada dia, experimentando algo novo a
cada dia. Ele é destemido, vulnerável, aberto a qualquer luz
nova, pronto a ser mover em qualquer dimensão que se
apresente à sua visão. Se sente que o caminho no qual se
move está errado, não dirá: “Mas investi tanto neste
caminho. Agora não posso mudar.” Ele abandonará o caminho,
abandonará tudo que investiu nele, retornará para onde
estava antes, e começará a aprender novamente o ABC.
Um buscador está sempre pronto a mudar, mas um seguidor é
teimoso, inflexível. Diante da luz, preferirá cerrar os
olhos em vez de vê-la, pois ele investiu muito.
Um monge jaina me procurou. Disse que fora um monge jaina
durante trinta anos. “Hoje eu sei que escolhi um caminho que
não me serve, mas agora não posso abandoná-lo porque, se o
abandonar, o que farei? Não tenho instrução. Fui iniciado no
mosteiro quando ainda era uma criança. Estes trinta anos de
vida monástica tornaram-me totalmente dependente dos outros.
Não posso fazer nada; não posso fazer nenhum trabalho
físico. Eu sou tão respeitado! Até mesmo pessoas importantes
vêm até mim e curvam suas cabeças. Se eu deixar de ser monge
- e sei agora que isso não me serve - essas mesmas pessoas
que hoje tocam os meus pés, não me empregarão nem mesmo como
criado. Assim, o que posso fazer?”
Há muito investimento. Todo o prestígio, respeito, honra,
estão agora em jogo. Então eu lhe disse: “Se você é
realmente um buscador, jogue tudo isso fora. Seja um mendigo
ou um louco, mas não seja falso. Se você sabe que esse
caminho não lhe serve, então abandone tudo aquilo que obteve
através dele. Não seja falso, não seja inautêntico”.
Ele disse: “Pensarei a respeito. Mas acho difícil.”
Há três anos ele vem pensando a respeito. Não me procurou
mais. Não me procurará. Ele é um seguidor, não um buscador.
Um buscador abandona tudo no instante em que percebe que
algo não lhe serve. Não há hesitação. Este sutra diz:
Busque o caminho. Seja um buscador, não um crente.
Busque o caminho retirando-se para dentro.
E sempre que você se deparar com alguma coisa que o atrai,
algo que seja atraente à sua razão, à sua lógica, à sua
mente - que pareça racional, pareça ser verdadeiro -
lembre-se: não é suficiente. Pode parecer verdadeiro à sua
razão, mas isso não significa que seja verdadeiro. A não ser
que você o experimente, que você experimente algo através
dele, nada foi descoberto. Através da lógica, não se
descobre nada. A lógica é um instrumento útil, mas não a
considere o critério supremo. O critério supremo encontra-se
sempre em seu íntimo. Experimente e sinta. E, a menos que
você experimente alguma coisa, não acredita que a encontrou,
que o caminho lhe foi revelado. Somente através da
experiência é que as teorias se transformam em verdade.
Busque o caminho retirando-se para dentro. Sempre que
você descobrir uma técnica, um caminho, recolha-se, vá para
dentro de si. Experimente-o aí: em sua subjetividade, em seu
coração. Experimente-o. Não fique apenas refletindo sobre o
que é meditação. Medite! Somente assim você poderá saber o
que é a meditação. Uma técnica pode não lhe servir.
Abandone-a e tente outra. Há centenas de técnicas de
meditação. Uma delas certamente lhe servirá. A humanidade
vem se esforçando por sua libertação há milhares de anos e
todos os tipos de homem alcançaram a libertação. Todos os
tipos de homens alcançaram a libertação. Todos os tipos de
técnica foram encontradas. Você não é novo; já esteve aqui
antes. Muitos iguais a você já estiveram aqui antes e
trilharam o caminho. Muitas técnicas foram descobertas.
Tente. Mas seja autêntico; quando tentar, tente seriamente.
E tente com toda a sua energia. Se uma técnica não lhe
trouxer resultado, abandone-a e comece outra.
Antigamente, quando um discípulo procurava um mestre, a
primeira coisa que o mestre tentava observar era se o
discípulo lhe convinha ou se ele convinha ao discípulo. Se o
mestre achasse que o discípulo não devia ficar com ele, se
sentisse que o discípulo poderia ser mais bem auxiliado por
algum outro mestre - mesmo se esse outro lhe fosse contrário
- ele dizia ao discípulo: “Procure aquele mestre!”.
O discípulo poderia dizer: “Mas ouvi contar que ele é contra
você; diz que tudo o que você está fazendo é errado”.
O mestre diria: “Não se incomode com o que ele diz. Ele lhe
será conveniente, o caminho dele convirá a você. Procure-o.
Tente com ele”.
Continue tentando diferentes técnicas, mas faça isso de todo
o coração. Caso contrário, você poderá desistir de uma
técnica que lhe serviria. Assim, tente de todo o coração. Se
algo acontecer, ótimo. Entre nisso, entre profundamente.
Porém, se você se dedicar totalmente a ela, com toda a sua
energia, e nada acontecer, então, abandone essa técnica; ela
não lhe serve. Mas não a abandone antes de tenta-la - antes
de entregar-se totalmente a ela. Busque o caminho
retirando-se para dentro.
Busque o caminho avançando corajosamente para fora.
Mesmo que você experimente uma técnica e sinta alguma coisa
em seu interior, há toda a possibilidade de se tratar apenas
de uma ilusão. Talvez não passe de uma projeção da mente, ou
seja apenas um sonho, um desejo de realização. Não pense que
você encontrou o caminho. Seja o que for que você tenha
alcançado interiormente, transforme-o agora em seu caráter,
viva-o. Você já teve a experiência. Agora viva-a,
transforme-a em sua própria vida. Se sentir que a
tranqüilidade lhe aconteceu através dessa experiência,
permita que ela se mova, permita que as ondulações da
tranqüilidade ao redor de você movam-se para além de você.
Deixe que a sua tranqüilidade alcance os outros. Deixe que
os sonhos também sintam que você se tornou aquilo.
Se você continuar exteriormente irado, mas disser: “Sou um
grande meditador” - estará apenas iludindo a si mesmo. Não
se iluda, não se engane, porque você será o único perdedor,
ninguém mais. Tudo o que acontecer dentro de você - se você
achar que sentiu a luz interior... Qual o critério para
saber se é ilusão ou realidade? O critério é que a sua vida
exterior mudará em conformidade com a interior.
Se você realmente experimentou a luz interior, o sexo
desaparecerá. O amor lhe acontecerá, mas o sexo
desaparecerá; a sexualidade desaparecerá. O amor, uma
personalidade muito amorosa, a substituirá. Não haverá mais
desejo sexual. Se o desejo sexual permanece, você não
experimentou a luz interior. Nesse caso, a luz interior nada
mais é que uma projeção da mente.
E assim por diante. Seja o que for que você tenha
experimentado interiormente, isso precisa ser exteriorizado.
É preciso que isso se mostre em sua vida, pois esse é o
verdadeiro teste, o verdadeiro critério. Se você alcançou
uma profunda tranqüilidade, o ódio desaparecerá. Se ele
permanece, se não se transformou totalmente em amor, então
você não sentiu a tranqüilidade interior. Se há ódio, a
tranqüilidade interior é impossível. Você deve ter sentido
algo cultivado, deve ter cultivado uma tranqüilidade...
Se você continuar repetindo um mantra, criará uma
tranqüilidade que é cultivada, falsa, mas sua vida exterior
permanecerá a mesma. Se o interior muda, o exterior também
muda, mas o contrário não é verdadeiro. Você pode mudar o
exterior e não há necessidade de que o interior mude. Esse é
o significado da hipocrisia. Você pode mudar o exterior -
pode ser muito amoroso exteriormente - e continuar cheio de
ódio em seu interior. Você muda o exterior, cria uma máscara
falsa, uma fachada.
Pode-se observar isso por toda parte, especialmente neste
país onde tanta religião tem sido ensinada. O único
resultado final é este: uma sociedade hipócrita. Máscaras, e
não rostos verdadeiros. Olhe para qualquer rosto e
descobrirá que não é verdadeiro. Alguma outra coisa se
oculta por trás dele, alguma coisa inteiramente diversa.
Você pode mudar o exterior e não há necessidade de que o
interior mude. Porém, se o interior muda, a mudança exterior
é inevitável. Quando o interior muda, o exterior muda
automaticamente. Se ele não está mudando, então sua mudança
interna não passa de uma ilusão.
Estes três sutras são muito significativos:
Busque o caminho
Busque o caminho retirando-se para dentro.
Busque o caminho
avançando corajosamente para fora. |