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A Nova Alquimia (Osho)
A Quietude que Sucede à
Tormenta
Espere a flor florescer na quietude que sucede à
tormenta: não se adiante.
Uma das leis mais fundamentais da vida precisa ser
entendida.
A vida baseia-se na polaridade; cada coisa existe com o seu
pólo oposto. De outro modo, não é possível. A mente existe
devido à matéria; a mente é o pólo oposto. A consciência
existe devido à inconsciência, o dia existe devido à noite,
a vida existe devido à morte, a felicidade existe devido à
infelicidade, e assim por diante. Cada coisa existe devido
ao seu pólo oposto. Você não pode experimentar a felicidade
a não ser que tenha experimentado profundamente a
infelicidade, e não pode alcançar o êxtase supremo se não
tiver passado pela agonia suprema. Esse é o significado do
mundo, o sentido de todo esse sofrimento. Ele não é sem
sentido.
As pessoas que procuram e me perguntam por que Deus criou
este mundo de sofrimento. “Por que há tanto sofrimento se
Deus é compaixão?” Sim, Deus é compaixão. Por esse motivo
há tanto sofrimento. A menos que você passe através do
sofrimento, não alcançará o êxtase supremo. O sofrimento é o
aprendizado básico. A infelicidade é o aprendizado básico
para o florescimento supremo da felicidade.
Como você pode alcançar o êxtase se não conhece a agonia? Se
você alcançar o mundo do êxtase sem saber o que é a agonia,
não será capaz de reconhecê-lo. O reconhecimento é
impossível. Somente através da escuridão se pode reconhecer
a luz. Você pode estar vivendo na luz mas, se não conhece a
escuridão, não pode saber que está vivendo na luz. Um peixe
do mar não pode saber que o mar existe. Somente se o peixe
for lançado fora do mar é que poderá reconhecê-lo. Se for
jogado outra vez para dentro do mar, esse peixe será
totalmente diferente e o mar também será totalmente
diferente. A partir de então o peixe será capaz de
reconhecê-lo. Sansar, o mundo, é apenas um local de
aprendizado. Você precisa entrar profundamente na matéria.
Só assim poderá retornar ao outro pólo, ao pico da
consciência.
Este sutra diz: Espere a flor florescer no silêncio que
sucede à tormenta; não se adiante. O silêncio real,
autêntico, ocorre somente depois de você ter passado pela
tormenta. Apenas quando cessa a tormenta é que o silêncio
pode explodir dentro de você; nunca antes. Você pode criar
uma quietude falsa, antes da tormenta; mas nesse caso estará
apenas se iludindo. Você pode criar uma quietude -
artificial, cultivada, imposta a partir do exterior - mas
ela não será espontânea, não pertencerá ao seu ser interior.
Há muitos artifícios para se aquietar a mente. Você pode
usar um mantra. Pode sentar-se calado na postura de Buda e
ficar repetindo aum, aum, aum. Se continuar repetindo esse
mantra uma, duas, três, muitas vezes, acabará entediado.
Esse tédio terá o aspecto de uma quietude. Quando você se
entediar, o mantra cessará. Uma espécie de sono interno
surgirá. Hipnose - uma espécie de sono. Você se sentirá bem,
mas esse sono não é dhyana, esse sono não é silêncio.
Esse sono é simplesmente negativo. Você se torna entorpecido
em virtude da repetição. Toda repetição cria entorpecimento.
Você se torna simplesmente entorpecido. Através do
entorpecimento você não pode experimentar a miséria, não
pode experimentar o sofrimento. O entorpecimento é um
anestésico. Ele torna você inconsciente.
Isso é negativo. Sem dúvida, você ficará menos tenso, mas
não estará mais vivo. A quietude autêntica surge somente
depois da tormenta.
Não force a tormenta a desaparecer. Antes, viva-a; permita
que ela aconteça. Traga-a para fora, expulse-a. Permita que
a tormenta o abandone, deixe que ela se dissipe. Não a
reprima. Reprimida, ela permanecerá em você. Reprimida no
inconsciente, ela persistirá; aguardará o momento certo para
explodir. Você sempre receará sua explosão, precisará
combatê-la continuamente. E você nunca sairá vitorioso, pois
aquilo que é reprimido precisa ser combatido repetidas
vezes, precisa ser reprimido muitas vezes. Sua quietude
estará assentada sobre um vulcão e, a qualquer momento, o
vulcão poderá entrar em erupção.
Então você sempre temerá a vida, porque a vida pode criar
situações nas quais o vulcão poderá entrar em erupção. Você
negará a vida, tentará fugir dela. Desejará ir para
Himalaia, pois ali não haverá ninguém que lhe forneça uma
oportunidade para que seu vulcão entre em erupção. Mas o
vulcão ainda estará aí e o Himalaia não poderá ajudar, a
menos que o vulcão seja expulso.
E é bom expulsa-lo. Você está perdendo uma experiência
básica, a de expulsar completamente o vulcão, de liberar
totalmente a loucura, de trazer para fora tudo o que se
encontra ali: a tormenta interior. Deixe-a sair e não
resista, não reprima. Deixe-a sair totalmente. Então chegará
o momento em que a tormenta passará.
Nesse momento, a quietude real acontece em você. Real no
sentido de que, agora, não é cultivada; é espontânea. O rio
está fluindo. Não se trata de algo que você criou; não é
algo que está acontecendo devido ao seu esforço. Pelo
contrário, você não está aí. Apenas a quietude está. E essa
quietude é destemida. Nada pode perturbá-la, porque aquilo
que poderia ser distúrbio foi expulso. A tormenta se
dissipou.
Por isso é que insisto, e insisto bastante para que você
expulse a sua loucura. Dentro, ela é perigosa. Expulse-a e
ela desaparece. Seu coração torna-se vazio; um certo espaço
é criado. Somente nesse espaço a quietude pode acontecer.
Então você tem um lugar para ela, está pronta para ela,
aberto para ela.
Espere a flor desabrochar na quietude que sucede à
tormenta: não se adiante. O que é a flor?
O florescimento do seu ser só ocorrerá quando a quietude
real acontecer em você; nunca antes. Você não pode forçar a
flor a se abrir. Ela se abre por si mesma. Você não pode
forçar o seu ser a se abrir; isso é impossível. Você não
pode violentá-lo, não pode ser violento com ele. Ele será
simplesmente destruído.
A flor se abre por si mesma. O único solo necessário é a
quietude autêntica, real e espontânea. A partir de uma
quietude cultivada, a flor nunca se abrirá. Com uma quietude
cultivada, você simplesmente se tornará entorpecido. Seu ser
ficará menos vivo, apenas isso. Com menos vida, você estará
menos inquieto. Isso parece bem, mas lembre-se de que a
inquietude é um aprendizado. Você não deve tentar ter menos
inquietações. Fique com as suas inquietações e mova-se
através delas. Não as abandona, não fuja delas. Chegará um
momento em que você terá ido além delas, mas só se atinge
esse momento passando-se através delas. Passe através da
tormenta e permita que surja uma verdadeira quietude. Só
então seu ser florescerá, nunca antes.
Ela se desenvolverá, crescerá rapidamente, produzirá
ramos e folhas, e formará botões, enquanto a tormenta
continua, enquanto a batalha prossegue. Porém, até que toda
a personalidade do homem seja dissolvida e desfeita... até
que toda a natureza se renda e se submeta ao seu superior, a
flor não poderá desabrochar.
Não pense que a tormenta é sua inimiga. Ela não é. Essa
tormenta é a sua maior amiga, pois sem ela não haverá
quietude, sem ela não haverá florescimento, sem ela não
haverá liberação. Assim, nunca pense em termos de inimizade.
Não há nada que seja seu inimigo; a existência inteira é
amiga. Até mesmo aquilo que parece estar contra você - até
mesmo isso não é seu inimigo. Jesus diz: “Ame o seu
inimigo.” O verdadeiro inimigo que você precisa amar não é o
seu vizinho ou o inimigo do seu país. Eles não são seus
verdadeiros inimigos. Seus verdadeiros inimigos são a
tormenta, o mundo, o mal. A sexualidade, a raiva, a paixão,
o ódio - estes são os seus verdadeiros inimigos.
Jesus diz: “Ama a teus inimigos como a ti mesmo.” Por quê? O
cristianismo nunca pôde entender isso.O ensinamento de Jesus
foi completamente perdido. Tudo o que existe sob o nome de
cristianismo não pertence de modo algum a Jesus Cristo.
Pertence a São Paulo. Ele é o verdadeiro fundador do
cristianismo que existe na Terra.
Jesus é muito esotérico. Quando diz: “Ama a teus inimigos
como a ti mesmo”, quer dizer: através do pólo oposto,
através do inimigo, alcança-se o amigo supremo. Viva o
inimigo em sua totalidade para que possa transcendê-lo.
Qualquer experiência total torna-se transcendental.
Qualquer experiência, eu disse. Viva com a sua
totalidade e terá ido além dela. Ela nunca ficará presa a
você; você terá ido acima dela. Terá passado através dela,
terá aprendido tudo a seu respeito. Esse conhecimento é
revolucionário. Cria uma mutação; transforma você.
Enquanto a tormenta continua... Não pense que
a tormenta é sua inimiga, pois enquanto ela prossegue
embaixo da terra, oculta na escuridão, a flor se
desenvolverá.
...crescerá rapidamente, produzirá ramos e folhas, e
formará botões, enquanto a tormenta continua, enquanto a
batalha prossegue. Porém, até que toda a personalidade do
homem seja dissolvida e desfeita... até que toda a natureza
se renda e se submeta ao seu superior, a flor não poderá
desabrochar.
Quando a tormenta cessar, a flor desabrochará. Mas ela já
estava se preparando durante a tormenta. Através da
tormenta, ela estava se preparando para desabrochar. Estava
acumulando energia, vida, vitalidade. Estava se aprontando
para explodir. A tormenta é o solo. Sem ela, a flor não pode
desabrochar.
Então virá uma calma semelhante àquela que, num país
tropical, sucede à chuva intensa. ...E na profunda quietude
ocorrerá o evento misterioso que revelará que o caminho foi
encontrado.
Somente passando pela tormenta é que você poderá alcançar
uma calma em seu interior, semelhante àquela que, num
país tropical, sucede à chuva intensa. Lembre-se disso
profundamente, pois lhe será de grande ajuda.
Com cada sofrimento, você está criando a possibilidade de
algum êxtase. Após cada sofrimento, o êxtase se seguirá
imediatamente. Mas se você estiver muito preso ao
sofrimento, poderá perder o êxtase. Se você estiver doente,
um momento de saúde, um momento de bem-estar virá a você
após essa doença. Mas você pode estar tão preocupado com a
doença que, quando o momento vier, poderá perdê-lo - estará
muito envolvido com a doença que não existe mais. O momento
é instantâneo; você pode perdê-lo facilmente. Após cada dor,
o momento vem e visita você.
Após cada sofrimento, o êxtase vem bater à sua porta; mas
você continua perdendo-o porque o passado é muito intenso. A
doença já passou, mas você continua doente. Ela permanece na
memória, cobrindo sua mente de névoas, e você perde esse
momento fugaz.
Lembre-se disto: sempre que você estiver deprimido, espere
pelo momento em que a depressão for embora. Nada permanece
eternamente; a depressão irá embora. E quando ela o deixar,
espere - fique atento e alerta - porque após a depressão,
após a noite, virá a aurora e o Sol nascerá. Se você puder
estar alerta nesse momento, ficará feliz por ter estado
deprimido. Ficará grato por ter estado deprimido, porque
somente por intermédio dessa depressão é que esse momento de
felicidade tornou-se possível.
Mas o que é que fazemos? Movemo-nos numa regressão infinita.
Ficamos deprimidos. Então, ficamos deprimidos por causa da
depressão; segue-se uma segunda depressão. Se você está
deprimido, ótimo. Não há nada de errado nisso. É bom, pois
através da depressão você aprenderá e amadurecerá. Mas você
se sente mal. “Por que estou deprimido? Não quero ficar
deprimido.” Então começa a lutar com a depressão. A primeira
depressão é boa, mas a segunda depressão é irreal. E essa
depressão irreal cobrirá sua mente de névoas. Você perderá o
momento que se seguiria à depressão real.
Quando estiver deprimido, continue deprimido. Simplesmente,
continue deprimido. Não fique deprimido por causa da sua
depressão. Não lute, não procure se desviar, não force a
depressão a ir embora. Apenas permita que ela aconteça; ela
irá embora por si mesma. A vida é um fluxo; nada permanece o
mesmo. Você não é requisitado; o rio move-se por si mesmo,
não precisa que você o empurre. Se está tentando empurrá-lo,
você está sendo tolo. O rio fluir por si mesmo. Deixe-o
fluir.
Quando a depressão se manifesta, permita que ela se
manifeste. Não fique deprimido por causa dela. Se você
quiser afastá-la cedo demais, ficará deprimido. Se lutar com
ela, você criará uma depressão secundária que é perigosa. A
primeira depressão é boa, uma dádiva divina. A segunda
depressão é criação sua. Não é uma dádiva divina; não é
mental. Então você entrará em esquemas mentais, e eles são
infinitos.
Se você ficar deprimido, fique feliz por estar deprimido e
permita que a depressão se manifeste. Então, de repente, a
depressão desaparecerá e surgirá um espaço, uma brecha. Não
haverá nuvens e o céu estará claro. Por um único momento, o
céu se abrirá para você. Se você não estiver deprimido por
causa de sua depressão, poderá entrar em contato, estar em
comunhão, atravessar o portão celeste. E quando o conhecer,
terá aprendido uma das leis supremas da vida: que a vida usa
o oposto como um professor, como uma base ou trampolim.
Nada é errado; tudo acontece para o bem. É a isso que eu
chamo de uma atitude religiosa. Você pode não acreditar em
Deus - isso não faz nenhuma diferença. Buda nunca acreditou
em Deus, Mahavir nunca acreditou em Deus, mas eles eram
religiosos. Não há necessidade de se acreditar numa vida
após a morte, nenhuma necessidade. Ainda assim você pode ser
religioso. Não há nem mesmo necessidade de se acreditar na
alma. Você pode ser religioso sem acreditar nela.
Então o que é religião? Religião significa essa confiança de
que tudo acontece para o bem. Essa confiança de que tudo
acontece para o bem constitui a mente religiosa; isso é
religiosidade.
E se você confiar que tudo acontece para o bem, conseguirá
compreender o divino. O divino pode ser compreendido através
dessa confiança. Até mesmo a tormenta existe em benefício do
silêncio. O mal existe em benefício do bem; a morte existe
em benefício da vida; o sofrimento e a agonia são apenas
situações nas quais o êxtase pode acontecer.
Olhe a vida deste modo, e não estará distante o momento em
que o sofrimento desaparecerá completamente, em que a dor
desaparecerá completamente, em que a morte desaparecerá
completamente. Aquele que sabe que a agonia existe em
benefício do êxtase não ficará agoniado. Aquele que sabe,
sente e compreende que o sofrimento existe em benefício da
felicidade, jamais sofrerá. É impossível. Ele usa o próprio
sofrimento para ser mais feliz, usa a própria agonia como um
degrau para o êxtase. Vai além do domínio do mundo, salta
para fora da roda de sansar.
“O desabrochar da flor é o momento glorioso no qual a
percepção desperta: com ele surge a confiança, o
conhecimento, a certeza.”
“...Quando o discípulo está pronto para aprender, então ele
é aceito, admitido, reconhecido. Não pode ser de outro modo,
pois ele acendeu seu luzeiro e este não pode ser oculto.”
Estes escritos constituem as primeiras regras que estão
escritas nas paredes do Saguão do Saber. Aqueles que
procurarem, encontrarão. Aqueles que desejarem ler, lerão.
Aqueles que desejarem aprender, aprenderão.
QUE A PAZ ESTEJA CONVOSCO.
Há mais duas coisas que devem ser entendidas: “O desabrochar
da flor é o momento glorioso no qual a percepção desperta:
com ele surge a confiança, o conhecimento, a certeza.” A
menos que você experimente, não pode ter certeza. A
menos que você experimente, não conheceu ainda. A
menos que você experimente, não pode haver fé. Antes
que você experimente, toda crença é falsa, toda certeza é
apenas fachada, todo conhecimento é apenas informação e nada
mais. Lembre-se: antes de experimentar alguma coisa por si
mesmo, não esteja tão seguro dela, pois certeza em demasia é
apenas um truque da mente para ocultar a incerteza interior.
Antes de vivenciar alguma coisa por si mesmo, não diga que a
conhece, porque seu conhecimento é apenas um truque para
ocultar sua ignorância.
Você pode ter lido o Gitã, pode ter lido o Alcorão, pode ter
lido a Bíblia. Então você sabe “a respeito de”, mas não
sabe. Pode saber muito a respeito de Deus, mas isso não
significa nada, a menos que você conheça Deus. Saber
“a respeito de” não é conhecimento. Você pode saber o que
Jesus disse, mas isso é emprestado, secundário, inútil. Você
pode repetir o que Krishna disse, mas isso é apenas
mecânico. Você pode memorizá-lo, pode sabê-lo de cor, mas
nunca estará em seu coração; permanecerá na memória. A
memória é mecânica; não é conhecimento. O conhecimento surge
somente através de sua própria experiência. Insista em sua
própria experiência. Se você insistir, conseguirá.
Aqueles que procurarem, encontrarão. Mas você
nunca procura; contenta-se com um conhecimento emprestado.
Nunca diz: “Preciso conhecer por mim mesmo.” Se você
procurar, a existência estará pronta para lhe dar; mas você
se contenta com livros, com escrituras, com informação de
empréstimo. Nunca procura o verdadeiro conhecimento.
Procure o real. E o real significa a sua experiência,
a sua própria experiência. Os Budas não são de nenhuma
ajuda. Podem apenas mostrar o caminho, mas você precisa
andar com seus próprios pés. Insista em conhecer por si
mesmo, em sua própria experiência. Não se contente antes
disso.
Aqueles que desejarem ler, lerão. Se você insistir
muito em ler as leis supremas, elas se revelarão a você. A
Bíblia verdadeira não se encontra na Bíblia, o Alcorão
verdadeiro não se encontra no Alcorão, o Gitã verdadeiro não
se encontra no Gitã. A Bíblia verdadeira, ou o Alcorão, ou o
Gitã, estão escritos na existência, na própria vida. Se você
não acreditar nas escrituras, as escrituras verdadeiras se
revelarão a você.
Insista, “Quero ler a existência” e a ocasião lhe
será dada. Mas se você não insistir, se se contentar em
carregar um livro morto, então a existência não se imporá. A
existência é absolutamente não-violenta; ela não se impõe a
você. Você pode continuar com suas escrituras e, se está
feliz, ótimo. Mas você está vivendo num mundo falso, está
vivendo no mundo das palavras. Abra o livro da existência.
Jogue fora todas as escrituras para que a escritura
verdadeira possa ser encontrada.
Aqueles que desejarem aprender, aprenderão.
Aprender é difícil porque aprender significa render-se,
aprender significa entregar-se, aprender significa tornar-se
semelhante a um útero, tornar-se feminino, permitindo que a
existência entre em você. Porém, aqueles que desejarem
aprender, aprenderão.
Nós também desejamos, mas não aprender. Desejamos coletar
mais informações. Isso não é aprender.
Muitas pessoas me procuram e dizem: “Vamos aos campos de
meditação porque aqui conhecemos muitas coisas novas.” Elas
coletam informação, coletam algumas palavras e então partem
felizes. São estúpidas. E sua felicidade é suicida, porque
tudo o que digo não será de nenhuma utilidade se você não o
vivenciar.
Você pode carregar minhas palavras. Mas estará carregando um
peso morto. Ele o oprimirá; você não será livre. Minhas
palavras não podem libertá-lo. Ao contrário: podem
aprisioná-lo, podem tornar-se grilhões para você. Teria sido
melhor se você não tivesse vindo. Tudo o que digo, seja o
que for, não é para ser lembrado. É para ser vivido. E se
você o vive, torna-se seu. Então essas palavras não me
pertencem mais. Agora, aquela experiência tornou-se a sua
própria experiência. Agora, você conhece alguma coisa
através de seus próprios olhos, sente alguma coisa através
de seu coração. Isto é conhecimento. E isso proporciona
certeza e fé.
Que a paz esteja convosco
- pois somente na paz o divino torna-se possível. |