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Não seria o Tantra uma forma de indulgência?

Não, o Tantra não o é. Ele é sim, o único caminho para se sair da indulgência. E é também o único caminho para se sair da sexualidade. Nenhum outro caminho foi tão útil para o homem nesse sentido; todos os outros caminhos fizeram o homem mais sexual. O sexo não desapareceu. A religião o tornou apenas mais venenoso; ele ainda está aí, de uma forma envenenada. Ele não pode desaparecer porque ele é uma realidade biológica. O sexo é existencial. Simplesmente pela repressão ele não pode desaparecer. Ele só pode desaparecer quando você se tornar tão alerta que possa liberar a energia aprisionada na sexualidade. Não é através da repressão que essa energia é liberada, mas através da compreensão. E uma vez que essa energia é liberada, retirada para fora da lama, o lótus... O lótus tem que brotar da lama, ele tem que ir além dela, e a repressão leva o sexo para o fundo da lama. A lama segue reprimindo-o.
O que você tem feito até agora, o que toda a humanidade tem feito, é reprimir o sexo no lodo do inconsciente. Continue reprimindo-o, sente-se sobre ele, não permita que ele se manifeste; mate-o através do jejum, através da disciplina, indo para uma caverna nos Himalaias, mudando-se para um mosteiro onde, há centenas de anos, uma mulher nunca teve permissão de entrar... existem mosteiros onde apenas freiras vivem e onde um homem nunca entrou. Essas são formas de repressão e elas criam mais e mais sexualidade e mais e mais sonhos de indulgência. 

Não, o Tantra não é uma forma de indulgência. Ele é o único caminho para a liberdade. O Tantra diz: o que quer que exista tem que ser compreendido, e através da compreensão, a mudança acontecerá espontaneamente. Não acredite que o Tantra apóia a sua indulgência. Você ficará em maus lençóis se acreditar nisso. Escute esta história:

Um velho senhor, chamado Martin, foi a um médico fazer um exame: "Quero que você me diga o que há de errado comigo, doutor. Sinto dores pelo corpo todo e não consigo entender o por que delas. Eu tenho uma vida muito sadia - não fumo, não bebo nem vadio. Todas as noites, às nove horas, vou sozinho para a cama. Por que então estou me sentindo assim?"
"Qual a sua idade?" perguntou o médico.
"Vou fazer setenta e um", respondeu Martin.
"Bem , meu caro" disse-lhe o doutor, "afinal de contas você já está ficando velho, você tem que esperar que as coisas sejam assim. Mas você ainda tem muito tempo à sua frente. Apenas relaxe e não se preocupe. Sugiro que você vá espairecer numa estação de águas".
Assim, Martin foi para Hot Springs. E lá ele encontrou um outro senhor que aparentava ser tão velho e decrépito que Martin sentiu-se encorajado quanto a ele. "Irmão", disse ele, "você certamente deve ter se cuidado muito para ter alcançado uma idade tão avançada. Eu vivi uma vida tranqüila, certinha, mas aposto que não tanto quanto você. Qual a sua fórmula para alcançar essa idade?"
E o sujeito velho e enrugado lhe respondeu: "pelo contrário, meu senhor. Quando eu tinha dezessete anos meu pai me disse: "Filho, vá e desfrute a vida. Coma, beba e se regozije até não poder mais. Viva a vida intensamente. Em vez de se casar com uma mulher, fique solteiro e tenha dez. Gaste seu dinheiro com o prazer, consigo mesmo, em vez de com uma esposa e filhos". 

Sim: vinho, mulheres e música; a vida vivida em totalidade. Essa tem sido a minha política em todos estes anos!"
"É, parece que você aproveitou bem", disse Martin. "Mas, afinal, qual a sua idade?"
E o outro respondeu: "Vinte e quatro anos".

A indulgência é uma forma de suicídio tanto quanto a repressão. Existem dois extremos que Buda diz que devemos evitar. Um extremo é a repressão, o outro a indulgência. Fique simplesmente no centro: nem seja repressivo, nem seja indulgente. Simplesmente esteja no meio, observador, alerta, consciente. É a sua vida - ela não deve ser reprimida, nem deve ser desperdiçada; ela deve ser compreendida.

Osho

 

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