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Meditação: A fonte do amor

Nós estamos vivendo uma crise muito profunda do amor, tanto no contexto social quanto no plano individual. Faltam respeito e consideração no jeito das pessoas tratarem umas às outras. Será que a saída desse mal está na briga que vemos acontecer a cada instante? Tem-se a falsa ilusão de que o problema sempre é criado pelo outro e que ele é o responsável pela nossa desgraça, pela nossa miséria. Mas pensando assim, vamos nos sentir cada vez mais impotentes e aprofundar ainda mais o conflito.
Existe uma saída individual. Para amar de novo é preciso que você tenha muita consciência de si e esta consciência é que o coloca em contato com o seu "ser amoroso". Quanto mais você aprende a se encontrar com a fonte de amor dentro de si, abre caminho para que o amor também lhe aconteça.
Nossa vida contemporânea está muito elétrica, estamos sempre nos entupindo de muita informação, como se pudéssemos ser felizes por este caminho. Mas com tanta correria, falta-nos tempo para sentir, para amar. De que adianta estar junto de alguém se você não tem nada para lhe oferecer? O que você pode proporcionar ao seu parceiro (a) quando se sente irritado (a), frustrado (a) ou mal humorado (a)?
Mas se der um tempo para fechar os olhos e, simplesmente, sentir a respiração entrar e sair do seu corpo, pelo menos 15 minutos por dia, isto acalmará a sua mente. Você criará um fôlego, passará a se sentir mais calmo (a) e bem melhor. Isso é meditação.
Dar uma chance para estar íntimo de si. Quem a pratica sabe do que estou falando. É um voto de amor para consigo mesmo (a). Você aprende a se dar esse presente e se abastece de vitalidade. E quando vai para o outro, pode oferecer a sua presença mais íntegra. 
Ao meditar, a pessoa torna-se mais sensível para apreciar a vida que se manifesta dentro e fora de si. Dá mais importância a cada momento e se conscientiza disso. Ao estar com o outro, faz do encontro algo muito especial: uma celebração da vida.


O Desapego é Sábio
Existem basicamente duas formas para você evoluir espiritualmente: por meio da meditação, do autoconhecimento ou por intermédio da relação amorosa. É incrível como qualquer um dos dois caminhos leva, conseqüentemente, ao outro. Quanto mais você medita e estabelece uma boa relação consigo mesmo, aprende a respeitar-se. Cuidando-se bem, desenvolve uma relação de amor próprio. E quanto mais se faz isto, é capaz de respeitar, cuidar e amar os outros, tornando-se cada vez mais amoroso (a). 
No outro caminho, o do amor, acontece o contrário. Na arte de estar com alguém ao seu lado, você vai aprendendo a consultar os seus sentimentos a fim de que a relação seja verdadeira. Aprende a estar junto do outro quando seu coração assim o quer e a não estar, quando seu feeling diz que não é o momento. Da mesma forma que você consulta o seu querer, entende que o outro também tem este direito.
Tem horas que a gente quer namorar, conversar, fazer alguma coisa junto do (a) parceiro (a). Já noutros momentos é importante ficar só. Sozinho, você pode fazer as suas coisas, desenvolver-se em alguns assuntos que só dizem respeito a você mesmo. Sem contar o silêncio, tão necessário à alma quanto a comida ao corpo.


Hábito

É importante identificar quando se está grudado no outro apenas por hábito, insegurança ou por não saber o que fazer com sua própria vida. Caso entenda que se perdeu de si mesmo, está bem na hora de dar um tempo, de praticar o desapego. Aprenda a separar-se sempre que necessário.
O que mais acontece é as pessoas não entenderem isto e deixarem a relação passar do ponto. Ficam juntas a maior parte do tempo, não sabem criar espaços individuais, e quando percebem, estão se sentindo sufocadas pelo outro. Quanto mais você aprende a separar-se no dia a dia, mais possibilidade terá de manter o relacionamento vivo. Isso é uma arte.
Se o seu (a) parceiro (a) lhe diz que precisa ficar só, respeite-o (a). Eu sei que isso pode lhe causar insegurança. "O que será que ele (a) vai fazer? Será que ele vai atrás de outra (o)? Será que ele (a) está de saco cheio de mim? Será que ele (a) não me quer mais?" Pode até ser que tudo isto seja verdade. Mas se você não lhe der este espaço para a reflexão, o relacionamento será algo compulsório e não uma opção.
É saudável que tanto você quanto o outro se questionem de vez em quando se estar juntos é mesmo o que querem. Quem diz saber o que quer sempre, não pode estar falando a verdade. Os sentimentos fluem o tempo todo e por serem vivos, mudam. Deixe-os mudar, deixe-os crescer e evoluir. Dessa forma você estará fabricando uma relação viva, cheia de aventura, amor e prazer.


Agradecimento 
O agradecimento é um jeito inteligente de viver. Ao contrário da reclamação, quando você está sempre vendo o lado problemático da questão, ao agradecer, dá mais ênfase à parte boa da vida. Existe uma magia na gratidão. Você é humilde para reconhecer o que ganhou, o que recebeu tanto do outro, como da Existência no seu conjunto. Se faz sol, você celebra porque pode ir à praia. Se chove, você celebra porque pode aproveitar o dia para ler ou trabalhar. Se o seu parceiro está com você, você faz de tudo para que o momento tenha uma grande importância. Se ele se vai, você aproveita para cuidar de si.
Um outro jeito seria você reclamar da chuva, reclamar do sol, da presença ou da ausência do outro. 


Você decide! Como quer viver? Reclamando ou agradecendo?
Lembre-se: a reclamação é a nossa própria miséria; o agradecimento, nossa prosperidade.

Sérgio Savian

 

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